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Sombra

“Não se alcança a iluminação imaginando figuras de luz, mas tornando a escuridão consciente.” Carl Jung

A sombra, segundo a teoria de Carl Gustav Jung, é uma parte da estrutura psíquica que contém características que rejeitamos em nós mesmos e que ocultamos dos outros. Tendemos a esconder aquilo que consideramos feio, obscuro, ruim, vergonhoso ou moralmente errado. O problema é que a consciência (ego) não reprime somente aquilo que julga ser negativo, mas também características únicas, criativas e espontâneas, soterrando, muitas vezes, talentos valiosos.


A questão é que a repressão de tais características não as elimina por completo só porque as ignoramos; pelo contrário, quanto mais as rejeitamos, mais instintivas elas se tornam e encontram outras formas de expressão. Exemplo: a sociedade contemporânea e o conceito patriarcal contribuem com o senso comum de que os homens não são emocionais, e sim racionais; logo, quando alguma emoção surge, ela deve ser banida ou racionalizada.


Acontece que essa emoção não “vai embora” simplesmente por ser ignorada, mas tende a virar sintoma, seja físico ou psíquico. E a forma como essa emoção não vivenciada passa a ser expressada pode ser por meio de vícios, como drogas, álcool, sexo, pornografia e outros, ou transformada em raiva (emoção mais aceitável na sociedade para os homens), ressentimento e violência. Sendo assim, a emoção, quando se torna um incômodo, pode ser projetada, tentando encontrar um “culpado” para tal desconforto, ou sublimada, buscando um alívio por meio das distrações e do prazer.


Como já citado, a projeção é uma das formas de identificarmos a sombra por ser incompatível com a persona e, por não ser reconhecida em si mesma, ela se torna evidente nos outros. Um ponto importante de se saber é que nem todo conteúdo projetado é negativo: em casos de apaixonamento, por exemplo, aspectos positivos também são vistos no outro.


Entrar em contato com a sombra é um passo necessário para o caminho da Individuação (tornar-se o Si mesmo), e fazer isso não é uma tarefa fácil, pois exige o confronto com partes de si que causam aversão. É ter de descer no vale das sombras e encarar de frente o esqueleto vivo daquilo que inconscientemente achou que havia morrido. E nesse vale há traumas não elaborados, características rejeitadas e talentos esquecidos, mas que te compõem e te tornam inteiro. Apesar de ser algo difícil de se fazer, a redenção a esse processo é o que te ajudará a descomprimir a pressão de ser uma imagem idealizada, que busca aceitação e reconhecimento, para se conectar com quem você realmente é ou se sente à vontade de ser, sem precisar da aprovação externa para se sentir realizado. Por fim, abraçar esse processo é poder dar espaço para a existência de aspectos únicos que precisam da sua consciência para emergir e se transformar em algo bonito, potente e sagrado.



“Eu

Prisioneiro meu

Descobri no breu

Uma constelação”

(Fênix - Jorge Vercilo)



 
 
 

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